A asma é uma das doenças crônicas mais comuns na infância e caracteriza-se por inflamação das vias aéreas, hiperresponsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo aéreo. Apesar dos avanços no tratamento farmacológico, muitas crianças continuam apresentando sintomas, limitações funcionais e redução da qualidade de vida.
Além das alterações pulmonares, crianças com asma podem apresentar comprometimento da musculatura respiratória. A hiperinsuflação pulmonar, o aumento da resistência das vias aéreas e o esforço respiratório crônico podem provocar alterações mecânicas que reduzem a eficiência dos músculos respiratórios.
O treinamento muscular inspiratório (TMI) tem sido amplamente estudado em pacientes asmáticos e demonstrou benefícios sobre a força muscular respiratória, a capacidade de exercício e o controle dos sintomas. Entretanto, poucos estudos investigaram os efeitos do treinamento muscular expiratório (TME), especialmente em crianças.
Primeiro ponto, por que treinar musculo expiratório?
Os músculos expiratórios possuem papel importante na ventilação, na geração da tosse eficaz e na manutenção da função pulmonar. O fortalecimento desses músculos pode melhorar a eliminação de secreções, aumentar os fluxos expiratórios e contribuir para um melhor desempenho funcional.
Estudo recém publicado, realizado por pesquisadores Turcos, se propuseram a avaliar a importância do TME em alguns aspectos, tais como: Função pulmonar, Força muscular respiratória, Força muscular periférica, Pico de fluxo de tosse, Capacidade funcional e Controle da asma.
Sobre o estudo:
- Ensaio clínico randomizado, prospectivo e simples-cego;
- Foram recrutados 30 crianças e adolescentes com asma clinicamente estável, com idade entre 8 e 18 anos. O diagnóstico de asma foi confirmado por especialistas de acordo com as diretrizes internacionais vigentes.
- Critérios de inclusão: diagnóstico médico de asma, idade entre 8 e 18 anos, Estabilidade clínica, Capacidade de compreender e executar os testes e exercícios propostos.
- Os participantes foram divididos em dois grupos: Grupo Experimental (GE) que recebeu um programa domiciliar de fisioterapia respiratória e treinamento muscular expiratório com carga terapêutica.
- O grupo Placebo (GP), recebeu um programa domiciliar de fisioterapia respiratória e treinamento com resistência mínima, sem efeito de fortalecimento significativo.
O Programa domiciliar de fisioterapia respiratória consistia em exercícios de respiração diafragmática, exercícios de expansão torácica, técnicas de controle respiratório, exercícios voltados para melhora da ventilação pulmonar.
O programa de Treinamento muscular expiratório (TME) teve uma frequência de 1 vez ao dia, durante 8 semanas, com intensidade inicial: 30% da Pressão Expiratória Máxima (PEmax), ajuste semanal da carga conforme evolução individual, realizado com o POWERbreathe Ex1 Medic.
Foram realizadas avaliações de: Função pulmonar, Força muscular respiratória, Pico de Fluxo de Tosse, Força muscular periférica, Capacidade funcional e controle clínico da doença foi analisado utilizando o Asthma Control Test (ACT), questionário validado para avaliação do controle dos sintomas asmáticos
Sobre os resultados:
- Função pulmonar: Houve aumento significativo da CVF apenas no Grupo Experimental, o Grupo Placebo não apresentou melhora estatisticamente significativa.
- Capacidade Vital Forçada (CVF): O VEF1 aumentou significativamente apenas no Grupo Experimental, não foram observadas mudanças relevantes no Grupo Placebo.
- Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo (VEF1): Melhorou em ambos os grupos, entretanto, o aumento foi significativamente maior no Grupo Experimental.
- Pico de Fluxo Expiratório (PFE): Os resultados sugerem que o treinamento muscular expiratório contribuiu para melhorar a capacidade ventilatória e os fluxos expiratórios das crianças asmáticas.
- Pressão Inspiratória Máxima (PImax): houve aumento significativo da PImax em ambos os grupos, isso provavelmente ocorreu devido ao programa de fisioterapia respiratória realizado por todos os participantes.
- Pressão Expiratória Máxima (PEmax): Melhorou significativamente apenas no Grupo Experimental, o percentual previsto da PEmax também aumentou apenas no grupo submetido ao treinamento muscular expiratório.
- Pico de Fluxo de Tosse (PFT): O pico de fluxo de tosse aumentou nos dois grupos, porém os ganhos foram maiores no Grupo Experimental, esse resultado indica melhora da eficácia da tosse, aspecto importante para: Limpeza das vias aéreas, Remoção de secreções, Prevenção de complicações respiratórias.
- Força muscular periférica: A força do músculo quadríceps aumentou significativamente nos dois grupos. Contudo, os participantes submetidos ao treinamento muscular expiratório apresentaram ganhos mais expressivos, concluindo que e a melhora da mecânica respiratória e da tolerância ao exercício pode ter contribuído para o melhor desempenho muscular periférico.
O estudo conclui que o TME pode contribuir positivamente nessa população com ganhos em diferentes variáveis, tais como: Melhora da função pulmonar, aumento da força muscular expiratória, Maior eficácia da tosse, Melhor capacidade funcional,
Ganho de força muscular periférica e Melhor controle da asma.

Treinamento Muscular Expiratório em Crianças Asmáticas
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