A cirurgia bariátrica é hoje uma das estratégias mais eficazes no tratamento da obesidade grave. Além de promover perda de peso significativa, o procedimento contribui para melhorar o controle de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e apneia do sono, além de proporcionar ganhos importantes na qualidade de vida e no bem-estar emocional dos pacientes.
No entanto, a cirurgia é apenas uma parte do processo de recuperação. A reabilitação, especialmente por meio da fisioterapia, desempenha um papel essencial para garantir uma recuperação mais segura, rápida e com menos complicações.
O PAPEL DA REABILITAÇÃO NA CIRURGIA BARIÁTRICA
Nos últimos anos, protocolos modernos de recuperação cirúrgica têm sido cada vez mais adotados em hospitais ao redor do mundo. Um dos mais conhecidos é o ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), um conjunto de estratégias que busca acelerar a recuperação do paciente após procedimentos cirúrgicos.
Dentro desse protocolo, um dos pontos-chave é a mobilização fisioterapêutica ultra-precoce, que pode começar poucas horas após a cirurgia. Em pacientes submetidos à gastrectomia vertical laparoscópica, um dos procedimentos bariátricos mais realizados atualmente, essa mobilização pode ocorrer em até 24 horas após a extubação.
Essa estratégia ajuda a:
- melhorar a ventilação pulmonar
- estimular a mecânica diafragmática
- reduzir o risco de complicações respiratórias
- favorecer a recuperação funcional do paciente.
ESPIROMETRIA DE INCENTIVO: UM RECURSO IMPORTANTE NO PÓS-OPERATÓRIO
Outro recurso frequentemente utilizado no período pré e pós-operatório é a espirometria de incentivo, um dispositivo que estimula o paciente a realizar inspirações profundas e controladas. O objetivo é melhorar a expansão pulmonar, prevenir atelectasias e contribuir para a recuperação da função respiratória após a cirurgia.
Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) investigou o impacto da espirometria de incentivo na recuperação de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. O estudo foi um ensaio clínico prospectivo e randomizado, realizado entre 2019 e 2022 em um centro especializado em cirurgia bariátrica metabólica.
Participaram da pesquisa 163 pacientes, sendo que mais de 95% completaram a avaliação no primeiro dia pós-operatório. Os participantes foram divididos em dois grupos:
- pacientes que utilizaram espirometria de incentivo orientada por fluxo
- pacientes que utilizaram espirometria orientada por volume.
Todos os pacientes seguiram um protocolo ERAS padronizado, com mobilização fisioterapêutica iniciada até 60 minutos após a extubação.
COMO FOI REALIZADA A MOBILIZAÇÃO PRECOCE?
A mobilização fisioterapêutica seguiu uma sequência estruturada de atividades, incluindo:
- verticalização, com o paciente sentado e depois em pé ao lado do leito
- deambulação assistida, com caminhada de aproximadamente 50 metros no próprio dia da cirurgia
- cicloergometria para membros inferiores
- exercícios de ativação dos membros superiores com reeducação diafragmática.
Além disso, os pacientes realizaram exercícios com a espirometria de incentivo. O protocolo incluía três séries de quinze inspirações profundas por hora, enquanto o paciente estivesse acordado, mantendo a prática até a alta hospitalar.
Os resultados mostraram que a mobilização fisioterapêutica ultra-precoce é um dos pilares da recuperação após a cirurgia bariátrica. Entre os dispositivos avaliados, os modelos de espirometria orientados por volume apresentaram resultados importantes na recuperação da função respiratória no período pós-operatório imediato.
Os dados mostrados eles foram consistentes e clinicamente relevantes. Os achados reforçam a importância de integrar cirurgia e reabilitação como partes complementares do cuidado ao paciente com obesidade grave.
A mobilização conduzida por fisioterapeutas, associada ao uso de recursos como a espirometria de incentivo, pode contribuir para:
- recuperação mais rápida
- redução de complicações respiratórias
- maior segurança no pós-operatório
- alta hospitalar mais precoce.
A Ciência já nos deu indícios de boa adesão e recuperação ao paciente com a utilização de incentivadores a fluxo, esse estudo torna-se interessante para a aplicabilidade do treinamento a volume, estimulando a cognição, volume pulmonar e recuperação mais rápida!

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