segunda-feira, março 16, 2026

Sem categoria

Cirurgia bariátrica e reabilitação: como podem andar juntas?

A cirurgia bariátrica é hoje uma das estratégias mais eficazes no tratamento da obesidade grave. Além de promover perda de peso significativa, o procedimento contribui para melhorar o controle de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e apneia do sono, além de proporcionar ganhos importantes na qualidade de vida e no bem-estar emocional dos pacientes.

No entanto, a cirurgia é apenas uma parte do processo de recuperação. A reabilitação, especialmente por meio da fisioterapia, desempenha um papel essencial para garantir uma recuperação mais segura, rápida e com menos complicações.

O PAPEL DA REABILITAÇÃO NA CIRURGIA BARIÁTRICA

Nos últimos anos, protocolos modernos de recuperação cirúrgica têm sido cada vez mais adotados em hospitais ao redor do mundo. Um dos mais conhecidos é o ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), um conjunto de estratégias que busca acelerar a recuperação do paciente após procedimentos cirúrgicos.

Dentro desse protocolo, um dos pontos-chave é a mobilização fisioterapêutica ultra-precoce, que pode começar poucas horas após a cirurgia. Em pacientes submetidos à gastrectomia vertical laparoscópica, um dos procedimentos bariátricos mais realizados atualmente, essa mobilização pode ocorrer em até 24 horas após a extubação.

Essa estratégia ajuda a:

  • melhorar a ventilação pulmonar
  • estimular a mecânica diafragmática
  • reduzir o risco de complicações respiratórias
  • favorecer a recuperação funcional do paciente.

ESPIROMETRIA DE INCENTIVO: UM RECURSO IMPORTANTE NO PÓS-OPERATÓRIO

Outro recurso frequentemente utilizado no período pré e pós-operatório é a espirometria de incentivo, um dispositivo que estimula o paciente a realizar inspirações profundas e controladas. O objetivo é melhorar a expansão pulmonar, prevenir atelectasias e contribuir para a recuperação da função respiratória após a cirurgia.

Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) investigou o impacto da espirometria de incentivo na recuperação de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. O estudo foi um ensaio clínico prospectivo e randomizado, realizado entre 2019 e 2022 em um centro especializado em cirurgia bariátrica metabólica.

Participaram da pesquisa 163 pacientes, sendo que mais de 95% completaram a avaliação no primeiro dia pós-operatório. Os participantes foram divididos em dois grupos:

  • pacientes que utilizaram espirometria de incentivo orientada por fluxo
  • pacientes que utilizaram espirometria orientada por volume.

Todos os pacientes seguiram um protocolo ERAS padronizado, com mobilização fisioterapêutica iniciada até 60 minutos após a extubação.

COMO FOI REALIZADA A MOBILIZAÇÃO PRECOCE?

A mobilização fisioterapêutica seguiu uma sequência estruturada de atividades, incluindo:

  • verticalização, com o paciente sentado e depois em pé ao lado do leito
  • deambulação assistida, com caminhada de aproximadamente 50 metros no próprio dia da cirurgia
  • cicloergometria para membros inferiores
  • exercícios de ativação dos membros superiores com reeducação diafragmática.

Além disso, os pacientes realizaram exercícios com a espirometria de incentivo. O protocolo incluía três séries de quinze inspirações profundas por hora, enquanto o paciente estivesse acordado, mantendo a prática até a alta hospitalar.

Os resultados mostraram que a mobilização fisioterapêutica ultra-precoce é um dos pilares da recuperação após a cirurgia bariátrica. Entre os dispositivos avaliados, os modelos de espirometria orientados por volume apresentaram resultados importantes na recuperação da função respiratória no período pós-operatório imediato.

Os dados mostrados eles foram consistentes e clinicamente relevantes. Os achados reforçam a importância de integrar cirurgia e reabilitação como partes complementares do cuidado ao paciente com obesidade grave.

A mobilização conduzida por fisioterapeutas, associada ao uso de recursos como a espirometria de incentivo, pode contribuir para:

  • recuperação mais rápida
  • redução de complicações respiratórias
  • maior segurança no pós-operatório
  • alta hospitalar mais precoce.

A Ciência já nos deu indícios de boa adesão e recuperação ao paciente com a utilização de incentivadores a fluxo, esse estudo torna-se interessante para a aplicabilidade do treinamento a volume, estimulando a cognição, volume pulmonar e recuperação mais rápida!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *